Epidemiológico
INTRODUÇÃO
Após estudos na Unidade de Análise de Situação de Saúde e Vigilância a Saúde III, elaboramos este boletim epidemiológico para conclusão das atividades realizadas e demonstração de nossos conhecimentos expressos neste documento.
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OBJETIVO
Mapear a incidência e prevalência de Aids desde os anos 1990 até 2010 na população brasileira e realizar comparações entre as datas a fim de identificar mudanças no comportamento dos indivíduos, evolução da doença e suas mudanças.
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METODOLOGIA
Foram utilizados dados secundários coletados através de sistemas do Sistema Único de Saúde Brasileiro, dados disponibilizados pelo Ministério da Saúde e literatura publicada sobre o assunto. Foram levados em consideração as datas, faixa etária, sexo, orientação sexual, situação de vulnerabilidade e regiões do país.
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AIDS NO BRASIL: EPIDEMIA CONCENTRADA E ESTABILIZADA NA POPULAÇÃO DE MAIOR VULNERABILIDADE
Na década de 1980 surgiram os primeiros casos de contaminação pelo vírus HIV (vírus da imunodeficiência humana), predominantemente em gays, adultos, hemofílicos e usuários de drogas injetáveis.
Segundo o SINAN, foram notificados 608.230 casos de aids acumulados de 1980 a junho de 2011, sendo 397.662 (65,4%) no sexo masculino e 210.538 (34,6%) no feminino. A epidemia 30 anos após seu seu surgimento no país passou a ter características diferentes e estar presente em grupos populacionais vulneráveis diferentes dos iniciais.
A comparação entre sexo vem se modificando ao longo dos anos. Em 1985, para cada 26 casos de aids entre homens, havia um caso entre mulheres. Em 2010, tal relação foi de 1,7 homens para cada caso em mulheres.
Segundo o Ministério da Saúde, a taxa de prevalência da infecção pelo HIV na população de 15 a 49 anos mantém-se estável em 0,6% desde 2004, sendo 0,4% entre as mulheres e 0,8% entre os homens. Em relação aos grupos populacionais com mais de 18 anos de idade em situação de maior vulnerabilidade, estudos realizados em dez municípios brasileiros, entre 2008 e 2009, estimaram taxas de prevalência de HIV de 5,9% entre usuários de drogas (UD), de 10,5% entre homens que fazem sexo com homens (HSH) e de 4,9% entre mulheres profissionais do sexo.
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AIDS EM JOVENS
Vale ressaltar que se observa tendência de aumento na prevalência da infecção pelo HIV nos jovens. Pesquisa realizada com os conscritos (de 17 a 20 anos de idade) do Exército mostrou que a prevalência na referida população passou de 0,09%, em 2002, para 0,12% em 2007. Com relação às taxas de incidência de aids entre jovens de 15 a 24 anos de idade em 2010, a taxa para os homens foi de 2 casos de aids e, para as mulheres, de 1,6 para cada grupo de 100 mil habitantes. No que diz respeito à razão de sexos na citada faixa etária nos últimos 20 anos, houve diminuição na proporção de casos entre homens e mulheres. Em 1990, para cada 3,7 casos de aids em homens, havia um caso em mulher e, em 2010, a proporção diminuiu para 1,4/1 (Figura 1).
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Figura 1 - Taxa de incidência (por 100 mil habitantes) dos casos de aids em jovens entre 15 à 24 anos.
SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE NOS JOVENS GAYS
A analise de casos de aids notificados no Sinan, de 1990 a junho de 2011, no sexo masculino de 13 anos ou mais de idade, segundo a categoria de exposição (forma de infecção), 32,3% dos casos, no ano de 1999, ocorreram entre heterossexuais e, em 2010, o percentual passou para 42,4% (Figura 2). Os homens na faixa etária de 15 a 24 anos, no mesmo período, tiveram um aumento proporcional da categoria de exposição HSH, passando de 25,2%, em 1990, para 46,4%, em 2010 (Figura 3).
Acompanhando a tendência observada na pesquisa dos conscritos, jovens do sexo masculino de 17 a 22 anos de idade, a prevalência na população HSH também aumentou, passando de 0,56% para 1,2%, mais que o dobro, entre 2002 e 2007. Nas mulheres de faixa etária semelhante (15 a 24 anos de idade), segundo o estudo-sentinela de parturientes, a prevalência se manteve constante, em torno de 0,24%.
Os dados epidemiológicos mostram que, na série histórica de 1980 a junho de 2011, há aumento de casos em homossexuais masculinos de 15 a 24 anos nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. As regiões Norte e Nordeste não apresentam diferenças significativas no tocante à referida população.
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Figura 2 - Distribuição proporcional dos casos de aids em indivíduos de 13 anos de idade e mais do sexo masculino, segundo categoria de exposição, por ano de diagnóstico. Brasil, 1990-2010
Figura 3 - Distribuição proporcional dos casos de aids em jovens de 15 a 24 anos de idade do sexo masculino, segundo categoria de exposição, por ano de diagnóstico. Brasil, 1990-2010
CONCLUSÃO
Ao analisar os indicadores percebemos a evolução do HIV / Aids no Brasil desde os primeiros casos em 1980. Podemos dizer que o comportamento da população mudou e a vulnerabilidade já não está concentrada nos mesmos grupos.
Ao longo dos anos as tecnologias para prevenção e tratamento vem sendo mais utilizadas e há programas do Ministério da Saúde que contribuem para que haja adesão da população, apesar disso ainda não há cura definitiva para a aids.
O aumento da prevalência da doença entre jovens é algo preocupante pois reforça a idéia de que as práticas sexuais não são realizadas de forma consciente e segura entre este grupo populacional.
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REFERÊNCIAS
- Szwarcwald CL et al. HIV testing during pregnancy: use of secondary data to estimate 2006 test coverage and prevalence in Brazil. Braz. J. Infect Dis. [online], 2008, 12(3): 167-172. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-86702008000300002&lng=en&nrm=iso.;
- Bastos FI. Taxas de infecção de HIV e sífilis e inventário de conhecimento, atitudes e práticas de risco relacionadas às infecções sexualmente transmissíveis entre usuários de drogas em 10 municípios brasileiros. Relatório técnico entregue ao Departamento de DST, aids e Hepatites Virais; 2009.;
- Kerr L. Comportamento, atitudes, práticas e prevalência de HIV e sífilis entre homens que fazem sexo com homens (HSH) em 10 cidades brasileiras. Relatório técnico entregue ao Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais; 2009.;
- Szwarcwald CL. Taxas de prevalência de HIV e sífilis e conhecimento, atitudes e práticas de risco relacionadas às infecções sexualmente transmissíveis nos grupos das mulheres profissionais do sexo, no Brasil. Relatório técnico entregue ao Departamento de DST, aids e Hepatites Virais; 2009. e;
- Szwarcwald CL. HIV-related risky prectices among Brazilian Young men, realized in 2007. Cadernos de Saúde Pública, 2011, 27: 19-26. Suplemento 1.
ALUNOS: Batista, Guilherme Lemos; da Silva, Maiko Sarmento; Gil, Alice da Fontoura e; Peixoto, Guilherme Pereira